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CHAVES PERDIDAS E UM FIM TRÁGICO: SEGURANÇA TIRA A PRÓPRIA VIDA NO SEQUELE

  • Foto do escritor: Portal Destaques
    Portal Destaques
  • 23 de fev.
  • 2 min de leitura

Henrique Fernando Ganga, de 49 anos, natural de Ambaca, província do Kwanza-Norte, solteiro, filho de Lourenço Cassule e de Emília Domingos Augusto Ganga, residente no bairro Tande, município do Sequele, província do Icolo e Bengo, morreu na manhã de segunda-feira, 23 de fevereiro, por volta das 6h.


Por: Ernesto João l Portal Destaque.online


Manhã marcada por choque e dor

Segundo o cunhado, Julião Manico, tudo aconteceu nas primeiras horas do dia. Por estar de folga, encontrava-se a dormir quando os sobrinhos, com quem Henrique havia passado a noite, bateram à porta de forma insistente para informar que o tio havia falecido.


De acordo com os familiares, falando em exclusivo ao Portal Destaques, Henrique encontrava-se em estado de embriaguez. Ao acordar por volta das 5h30, preparava-se para cumprir a sua rotina de abrir o portão do colégio onde trabalhava como segurança, facilitando a entrada das auxiliares de limpeza. Foi nesse momento que percebeu que não tinha as chaves da instituição.


Desespero pela perda das chaves

Ainda segundo os relatos, esta era a segunda vez que as chaves desapareciam sob sua responsabilidade. Abalado, Henrique teria dito aos sobrinhos que, se as chaves não aparecessem, tiraria a própria vida. Ao sair do quarto, os jovens pensaram que estivesse apenas à procura do objecto, mas pouco depois constataram o pior.


Após o ocorrido, as chaves foram encontradas num campo próximo à residência.


A família revelou que Henrique enfrentava problemas com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Já havia sido aconselhado várias vezes, mas nunca aceitou abandonar o vício.


Vivia com o cunhado há mais de cinco anos, desde o período da pandemia da COVID-19. Apesar das dificuldades relacionadas ao álcool, era descrito como uma pessoa tranquila, responsável pela casa quando o familiar se ausentava, e alguém com quem nunca houve conflitos.


Na sexta-feira, 21 de fevereiro, a direcção do colégio havia lhe entregue um valor para a compra de um telemóvel, com o objectivo de melhorar a comunicação no trabalho. A família suspeita que o dinheiro tenha sido gasto em bebidas.


O neto, Eduardo Joaquim, contou que no domingo, 22 de fevereiro, pela manhã, Henrique entregou dinheiro para o almoço e saiu de casa. Ao regressar por volta das 12h, já apresentava sinais de embriaguez, situação que se agravou durante a tarde. Às 18h, retornou com uma garrafa de álcool e já demonstrava dificuldades em manter-se firme.


Após o jantar, por volta das 20h, os familiares tentaram acompanhá-lo ao quarto, mas não conseguiram entrar, pois a porta estava trancada e ele não sabia onde havia colocado a chave. Sem sucesso ao tentar arrombar a porta, decidiram que ele passaria a noite no quarto dos sobrinhos.


Na manhã seguinte, ao perceber que estava novamente sem as chaves do colégio, ocorreu o desfecho trágico.


Lembranças de um homem querido

Para os familiares, Henrique era mais do que um tio ou avô — era um amigo presente no convívio diário. Apesar da luta contra o alcoolismo, é lembrado como uma boa pessoa, acolhida e respeitada no seio da família.


Os moradores afirmam que, este é o terceiro caso naquele bairro.

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