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REI TADY DYAMBUISSU — O FIRME FUNDAMENTO

  • Foto do escritor: Portal Destaques
    Portal Destaques
  • 28 de mar.
  • 2 min de leitura


POR: MIRALDINO CAFUSSA


Rei Tady Dyambuissu não pede passagem — ele impõe presença. No tempo em que muitos se perderam de si mesmos, ele regressa como chama antiga que se recusa a apagar. Não é eco do passado: é o próprio passado a caminhar no presente, com os pés firmes na terra dos ancestrais e os olhos cravados no destino do Kongo.


Ele levanta o que foi derrubado. Sacode o pó da memória. Desenterra nomes, ritos, verdades que o tempo e as mãos do esquecimento tentaram sepultar. Onde houve silêncio, ele faz nascer palavra. Onde houve vergonha, ele acende orgulho. Onde houve ruptura, ele costura identidade.


Tady Dyambuissu não governa — ele convoca. Convoca espíritos, convoca consciências, convoca um povo inteiro a regressar a si mesmo. A sua voz não é apenas som: é tambor que desperta, é trovão que rasga a acomodação, é chamado que inquieta os que ainda dormem na ilusão de uma identidade emprestada.


Na sua presença, a espiritualidade Kongo deixa de ser sussurro marginal e volta a ser centro, força, lei invisível que organiza o visível. Ele reafirma que os ancestrais não são memória distante , são presenças ativas, são conselhos, são vigilâncias, são fundamentos.


E há algo nele que incomoda os que ainda dormem na sombra da humilhação: a firmeza. Porque num mundo que negocia valores, ele não negocia raízes. Num tempo que relativiza tudo, ele afirma. Ele não se curva à estética da submissão nem ao conforto da amnésia cultural. Ele é confronto, não com o outro, mas com a perda de nós mesmos.


Rei Tady Dyambuissu é mais do que um nome : é um movimento. Um regresso inevitável. Um lembrete de que o Kongo não morreu, não desapareceu, não se dissolveu: apenas aguardava o momento certo para se reerguer com consciência, com força e com espírito.


Por isso, chamá-lo de “firme fundamento” é pouco , ele é a própria terra que sustenta os passos de um povo em reconstrução. Ele é raiz que rompe o asfalto da alienação. Ele é o sopro que reacende o que parecia extinto.


E enquanto ele fala, age e resiste, uma verdade se impõe: o Kongo está vivo e já não aceita ser esquecido.

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