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PGR INTERROGA HIGINO CARNEIRO POR SUPOSTO USO DE VIATURAS NA CAMPANHA DE JOÃO LOURENÇO

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    Portal Destaques
  • 10 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Por: Redacção l Portal Destaques.ao


O general reformado Francisco Higino Lopes Carneiro foi interrogado nesta terça-feira, 9 de Dezembro, entre 8h30 e 17h00, na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), no âmbito do Processo n.º 48/20. A queixa foi apresentada pelo seu sucessor no Governo Provincial de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho.


O processo centra-se na aquisição de mais de 60 viaturas à empresa RCMJ, propriedade do empresário Rui Carlos Marinho, durante o período em que Higino Carneiro dirigiu o Governo Provincial de Luanda (2016–2017). Nesse mesmo período, exercia também as funções de primeiro secretário do MPLA em Luanda.


Fontes indicam que parte dessas viaturas teria sido distribuída a quadros do MPLA envolvidos na campanha eleitoral de João Lourenço em 2017.


Após a exoneração de Higino Carneiro, o governo provincial passou a ser liderado por Adriano Mendes de Carvalho (setembro de 2017 – maio de 2018). Foi durante a sua administração — num momento em que o Executivo lançava a agenda nacional de combate à corrupção — que a denúncia sobre o alegado uso partidário das viaturas veio a público.


Não há clareza sobre se Mendes de Carvalho apresentou a queixa por iniciativa própria ou por orientação superior.


Segundo informações recolhidas pelo portal Club-K, as viaturas, conhecidas como “chefe máquina”, teriam sido atribuídas a vários quadros do MPLA, entre eles:


Mara Quiosa


Ermelindo Pereira


Mário Pinto de Andrade


Luther Rescova


Esteves Hilário


Naulila André


Nelson Funete


Milca Caquiesse (que posteriormente devolveu a viatura ao ser substituída por Tomás Bica)



Também Dionísio Manuel da Fonseca, então assessor jurídico do Vice-Presidente da República e hoje ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente, é mencionado como beneficiário.


Fontes referem ainda que algumas viaturas terão sido destinadas a quadros da Presidência, da Segurança de Estado e do governo central.


Além deste caso, Higino Carneiro também responde ao Processo n.º 46/19, relacionado com alegados crimes de peculato cometidos durante o seu mandato na província do Cuando Cubango.


Há igualmente referências à intenção das autoridades de o envolverem no processo relativo a cidadãos russos acusados de interferência política em Angola.


Analistas ouvidos sugerem que o Processo 48/20 poderá estar a ser utilizado como ferramenta de fragilização política, especialmente num momento em que Higino Carneiro é apontado como potencial candidato à liderança do MPLA.


O timing das diligências judiciais — coincidente com a preparação do próximo Congresso do partido — e a forte exposição mediática do general são interpretados como sinais de uma possível estratégia de desgaste interno.


A repetida associação do seu nome a casos de corrupção, mesmo sem condenações transitadas em julgado, reforça a percepção de que as investigações também funcionam como mecanismos de controlo político no contexto das atuais disputas de sucessão dentro do MPLA.

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